Portugal confirma a contratação de Jorge Jesus como novo técnico
Jorge Jesus foi anunciado como o novo técnico da seleção de Portugal, substituindo Roberto Martínez após a campanha da equipe na Copa do Mundo da FIFA 2026™. A Federação Portuguesa de Futebol confirmou a contratação nesta sexta-feira. Será a primeira vez que o experiente treinador comandará a seleção principal do país, após uma carreira de mais de três décadas à frente de clubes.
Mais recentemente, o técnico de 71 anos conduziu o Al-Nassr ao primeiro título da Liga Saudita em sete anos, treinando o capitão português Cristiano Ronaldo e o atacante João Félix.
Jesus assume o cargo no lugar de Roberto Martínez, cuja passagem chegou ao fim após a eliminação de Portugal nas oitavas de final diante da Espanha.
Ex-treinador de Benfica e Flamengo, Jorge Jesus chega à seleção com um dos currículos mais vitoriosos do futebol português. Em sua primeira passagem pelos Encarnados, conquistou três títulos do Campeonato Português, além de diversas taças nacionais, antes de acumular sucessos no exterior. Seu maior feito fora de Portugal aconteceu no Flamengo, onde comandou a equipe na histórica conquista da Libertadores e do Campeonato Brasileiro de 2019, além de vencer em 2020 o Campeonato Carioca, a Supercopa do Brasil a Recopa Sul-Americana. Quando deixou a Gávea, havia obtido um número maior de taças do que de derrotas no comando da equipe rubro-negra.
Depois, passou pelo Fenerbahçe e assumiu o Al Hilal, clube com o qual conquistou o Campeonato Saudita e a Copa do Rei, além de liderar uma sequência recorde mundial de 34 vitórias consecutivas. Em maio deste ano, voltou a levantar o troféu da liga saudita, desta vez com Cristiano Ronaldo no Al-Nassr.
A chegada à seleção também marca o reencontro de Jorge Jesus com diversos jogadores do atual elenco português. Além de João Félix, treinado recentemente no Al-Nassr, ele já comandou Rúben Neves e João Cancelo no Al Hilal, além de ter trabalhado anteriormente, em Portugal, com atletas como Bernardo Silva e Gonçalo Ramos. Jorge Jesus inicia agora o desafio de dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Roberto Martínez, que levou Portugal ao título da Liga das Nações da UEFA em 2025.
O que ele disse
- Sobre renovação
"[Rodrigo Mora e Geovany Quenda] São dois jovens, mas há mais. Portugal tem uma formação de qualidade, a nível de clubes. Portugal é o Brasil da Europa. No Brasil, dás o pontapé numa pedra e sai um jogador. Portugal tem isso. Faltam quatro anos para o Mundial e são os jogadores que vão ditar quem vai. A idade não é problema. O que importa é o valor. Se for um jovem preparado, será integrado. Dos 12 que trabalharam comigo, quatro ou cinco fui eu que os lancei: Leão, Guedes, Cancelo, Bernardo. Não olho para o jogador pela idade, é o mesmo com o Cristiano. Trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia 8km por jogo, com velocidade acima dos 25km/h. Quando achava que tinha de jogar, jogava."
"No ano passado, o Al Nassr fez 50 jogos, o Cristiano fez 31. Substitui-o 16 vezes. Nunca nos confudimos o que é ele jogador e eu treinador. Não vou perder nenhum jogador, só com lesões. Desde 26 que estavam na Seleção, 12 trabalharam comigo. Conheço-os todos bem e são todos grandes jogadores. A Seleção tem muita qualidade e acredito em todos. Vão aparecer novos jogadores nos próximos quatro anos e, agora, estarei mais inserido na evolução do futebol jovem. Remodelação? Neste momento não é preciso. Só seis jogadores têm mais de 30 anos, e 2 são guarda-redes. Não é uma equipa velha, têm uma média de 28 anos, o melhor período de um jogador. Não é por aí."
- Sobre o futuro de Cristiano Ronaldo
"Ainda não falei com o Cristiano. O Cristiano é um símbolo de Portugal. Vai ficar na história e tive um grande prazer em trabalhar com ele. É facílimo trabalhar com ele. Desde que ele perceba onde pode chegar e onde eu posso chegar. Mas tenho de falar com ele para saber o que ele quer fazer. Ele sempre me disse que quer acabar no Al Nassr. Se tiver condições de ser convocado, assim o farei."
- Sobre treinar uma seleção
"Falam que eu gosto do treino e que agora não há tempo. Na minha carreira, estive em equipas que jogavam de dois em dois dias, como vai acontecer na Seleção. Muita gente pensa que os jogadores chegam à Seleção e vão dormir. Não vão dormir, há treino ativo. Há muitas formas de treinar. Também há treino sem ser em campo. Tudo isso vai ligar com aquilo que têm sido os meus últimos anos. O importante é montar e organizar uma equipa médica. É como nos clubes, os treinadores não ganham sempre, eu não ganhei sempre. Faz parte do crescimento. O que pode atrapalhar é convocar 20 e tal jogadores e só poderem jogar 11. Mas isso é que é bom, porque há matéria-prima."
- Sobre a braçadeira de capitão
"Quanto aos capitães, são cinco, o Cristiano [Ronaldo], o Bernardo [Silva], o Bruno [Fernandes], Rúben [Dias] e o Diogo [Costa]. Não sei qual a ordem. Não tenho muito o hábito de que os anos de Seleção influencie nos capitães. O capitão é muito mais do que isso. O capitão é o expoente máximo do pensamento do treinador."
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