Dani Lins e seu choro de alegria, confiança e alívio pelo
fim de uma longa espera

Única jogadora presente desde o início do projeto,
levantadora quer sua sexta taça de Superliga na carreira e a primeira do
Sesi-SP
Quando Fabiana bloqueou o ataque da italiana Caterina na
segunda semifinal contra o Osasco, uma jogadora em especial vibrou demais com a
vitória e a inédita classificação para a final da Superliga, neste domingo (27
/04), às 10h, no Rio de Janeiro, diante do Unilever/Rio.
Dani Lins estava no banco por conta da inversão realizada
elo técnico Talmo de Oliveira, e não escondeu de ninguém sua emoção ao receber
o troféu Viva Vôlei de melhor da partida enquanto enxugava as lágrimas do
rosto.
Lágrimas de alívio, de saber que uma longa espera havia
chegado ao fim.
Acostumada a decidir campeonatos, a medalha de ouro nas
Olimpíadas de Londres não aguentava mais ver a equipe feminina do Sesi-SP
assistir às decisões pela TV.
Lágrimas também pelas companheiras, que souberam virar um
jogo quase perdido e evitaram que Dani carregasse consigo uma suposta culpa
pela derrota. Por fim, Dani chorou também por estar escrevendo um novo capítulo
na história do vôlei feminino brasileiro: depois de nove anos, uma inédita
decisão de Superliga.
"Estou há três anos buscando essa final. Joguei cinco
anos no Rio e no Osasco também. Mas não tinha chegado na final pelo Sesi-SP. Eu
abracei o projeto no início. Acreditei nele e sabia que dava para chegar. No
primeiro ano a gente não conseguiu se classificar. No segundo também. Eu falava
para as companheiras: 'gente, temos que disputar a final. Isso é importante
para o time, para todo mundo'. Então, eu lembrei disso e chorei. Chorei por ter
conseguido. Chorei também de alívio. Se a gente tivesse perdido aquele jogo, eu
não ia me perdoar. Estava 10 a
8 para a gente e eu fiz duas jogadas erradas.
Ficou empatado em 10 a 10. Aí a gente virou. Depois elas viraram.
Ficou 14 a
11, e eu estava fora. Eu não ia me perdoar. Vi elas crescerem e eu não ia
aguentar aquela derrota. Sabia que um terceiro jogo lá seria muito mais
difícil. Aí vencemos e não segurei. Foi um choro de alívio também.”
Para quem tem uma medalha de ouro olímpica enfeitando a sala
de casa, ficar um ano fora de uma final é tempo demais. Para Dani, três anos
foi uma eternidade. Campeã por onde passou, ela confessa que não aguentava mais
esperar. Ressalta que para o projeto novo pode ter sido rápido, mas para o seu
lado pessoal, não tinha mais como ficar um ano fora.
"Para mim demorou muito. Eu já achava que no primeiro
ou no segundo ano a gente já podia ter conseguido uma final de campeonato.
Paulista, talvez. Para o projeto do Sesi-SP, que é novo, até que foi
rápido", disse a levantadora da Seleção Brasileira, que lembrou cada etapa
da temporada até chegar à decisão de domingo.
"No primeiro turno eu achava que estava bem difícil.
Mas aí fizemos a final do Paulista. Não jogamos bem, mas tínhamos chegado, pelo
menos. Aí fomos para a Copa Brasil, onde eliminamos a Unilever, um timaço, e
isso foi me dando mais ânimo. Na final, perdemos, mas jogamos bem melhor.
Ganhamos o Sul-Americano, foi histórico e inesquecível. Agora chegamos aqui.
Esse ano tem que ser nosso. Não estou satisfeita só com a final. Agora quero
ganhar esse título!".
Na arquibancada do Maracanãzinho, Dani sabe que contará com
a torcida da família, amigos e de Sidão, central do time masculino,
vice-campeão da Superliga 2013/2014. E a presença do noivo dará para a camisa 4
mais um motivo para jogar tudo no domingo e conquistar a taça.
"Ele prometeu que se a gente ganhar, ele vai me
levantar e rodar a quadra inteira comigo. Quero ganhar só pra isso!!!",
completou Dani, cinco vezes campeã da Superliga (04/05, pelo Osasco, 06/07;
07/08; 08/09; 10/11, pelo Rio de Janeiro), em busca de sua sexta conquista.
Fonte: Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp
Foto: Alexandre Blanco