quinta-feira, abril 30, 2026

São Carlos debate futuro da Arborização Urbana em audiência pública

São Carlos debate futuro da Arborização Urbana em audiência pública

A Câmara Municipal de São Carlos recebeu, na noite desta quarta-feira (29/04), uma audiência pública presidida pelo vereador Djalma Nery (PSOL) para discutir o Plano Municipal de Arborização Urbana. O encontro reuniu autoridades, especialistas e moradores, e apresentou o diagnóstico detalhado da situação atual da floresta urbana da cidade, além do prognóstico e da proposta de lei que deve instituir novas regras para o manejo e expansão da cobertura verde.

O relatório técnico, elaborado pela Esalq-USP sob coordenação do professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, revelou que São Carlos possui cerca de 55 mil árvores nas vias públicas, o que equivale a apenas 29 árvores por quilômetro de calçada, densidade considerada baixa e insuficiente para garantir conforto térmico e resiliência climática. “Nos esforçamos para produzir uma quantificação dos serviços ambientais proporcionados pelas árvores atuais e pelas futuras. O potencial é de triplicar os benefícios”, destacou Demóstenes. Ele lembrou ainda que o Brasil vive um momento propício, com o primeiro plano nacional de arborização da história, que pode viabilizar financiamento para a implantação das mudanças. “É possível, com uma modificação no plano diretor, conseguir recursos para transformar São Carlos em uma cidade verde, com um clima ainda melhor”, completou.

O vice-prefeito Roselei Françoso reforçou a importância do projeto. “A árvore é vida. É reequilíbrio ambiental, frescor, oportunidade de recuperação de espécies. É um bem necessário a toda a sociedade. Quanto mais árvores plantadas, mais interessante para toda a sociedade, para a fauna e para a flora”. Ele também destacou o impacto econômico. “O investimento previsto é de 18 milhões de reais, mas o retorno para a sociedade ao longo de 20 anos é de mais de 540 milhões. Isso significa menos enchentes, menos tragédias e mais estabilidade climática”.

O promotor Sérgio Domingos de Oliveira, do Ministério Público, ressaltou a necessidade de planejamento. “Sem planejamento você vai ficar trabalhando pontualmente, de forma irracional, sem resultados adequados. O planejamento é essencial, junto com os benefícios que a arborização traz. É uma iniciativa louvável do município, que merece parabéns”.

Já o secretário de Clima e Meio Ambiente, Júnior Zanquim, lembrou que esta foi a terceira audiência pública sobre o tema. “É fundamental que a população participe para que tenhamos um plano adequado à nossa realidade. Queremos um futuro com menos conflito entre arborização e instrumentos urbanos, como fiação elétrica e acessibilidade. Foi um momento em que autoridades e sociedade puderam debater e trazer proposições para a melhoria ambiental da cidade”.

O plano prevê o plantio de 94 mil novas árvores, com prioridade para espécies nativas de grande copa, como ipês e jacarandás, capazes de reduzir ilhas de calor e melhorar o conforto térmico. A meta segue a chamada Regra 3-30-300: cada morador deve avistar pelo menos três árvores de sua casa, escola ou trabalho; cada bairro deve ter 30% de cobertura arbórea; e ninguém deve estar a mais de 300 metros de um espaço verde.

Além das metas ambientais, o projeto traz mudanças legais importantes: podas drásticas passam a ser consideradas infração grave; árvores monumentais, chamadas de Árvores de Interesse Público, terão proteção absoluta; e cada árvore suprimida deverá ser compensada com o plantio de outra na mesma microbacia. Também fica proibido que qualquer espécie ultrapasse 10% do total urbano, para evitar riscos de pragas e doenças.