Festa em família na etapa do Rio coroa filhos de Isabel

Pódio da etapa do Rio de Janeiro do Circuito Banco do Brasil Open
Um dia inesquecível para a família da ex-jogadora Isabel,
que, na manhã deste domingo (20.10), viu seus três filhos serem campeões dentro
de casa. No feminino, Maria Clara e Carol venceram a etapa do Rio de Janeiro do
Circuito Banco do Brasil Open pela primeira vez. Entre os homens, Pedro Solberg
e o “irmão postiço” Bruno Schmidt conquistaram o bicampeonato nas areias
cariocas.
A festa em família começou com o título inédito de Maria
Calra e Carol. Uma conquista que elas já perseguiam há algum tempo. Por duas
vezes, o grito de campeão na terra natal ficou entalado na garganta. Em 2010,
em Búzios (RJ), elas perderam a decisão para Juliana e Larissa. Na temporada
passada, já na capital, acabaram derrotadas por Lili e Rebecca. Desta vez, elas
fariam mesmo de tudo para que a chance não escapasse.
E comprovaram isso já no primeiro set da decisão contra
Talita e Taiana (AL/CE). Depois de estarem perdendo por cinco pontos (8/3),
empataram em 16/16 e fecharam em 21/19. A virada fez muito bem à dupla, que
passou a mandar na partida. No segundo set, com apoio de grande parte da
torcida, que lotou a arena montada na Praia do Leme, elas passearam e venceram
por 21/10. Carol foi eleita a melhor da final.
“Estou feliz demais, é muito especial vencer no Rio. Já
tínhamos batido na trave duas vezes e não poderíamos deixar escapar de novo.
Queria aproveitar para parabenizar a Talita e a Taiana, que vivem um momento
incrível, e também a torcida. Se não fosse ela, teria sido muito mais difícil,
com certeza. Foi o nosso combustível”, vibrou Carol, que, pela primeira vez,
levou ao pódio o filho José, de pouco mais de um ano.
A mãe e técnica Isabel era a imagem da alegria. Também,
pudera. Da emoção de dirigir as filhas, já seguia para a arquibancada minutos
depois para torcer pelo filho. Antes mesmo de saber qual seria o resultado da
decisão no masculino, vibrava pelo bom momento de Maria Clara e Carol, coroado
com o título no Rio.
“Ganhar é sempre muito bom. No Rio, então... Claro que tem
um sabor especial. Nosso laço com a cidade é muito forte. Elas cresceram nas
praias do Rio, o berço do vôlei de praia brasileiro. No início, carregaram
aquele peso extra, desnecessário, de serem apontadas como ‘as filhas da
Isabel’. Mas faz parte do jogo. Estão aí há algum tempo mostrando que têm
qualidade. E, nessa final, venceram um timaço, o que valoriza ainda mais esse
título”, declarou Isabel.
Maria Clara, a fillha mais velha, era outra que parecia não
acreditar que o dia tão esperado, finalmente, chegou. E ela fez questão de
ressaltar um outro fato que valoriza ainda mais essa conquista. Na véspera,
praticamente 14 horas antes, ela e Carol tinham acabado de fazer uma semifinal
das mais desgastantes, contra Ágatha e Bárbara Seixas, com um segundo set de
arrepiar que durou 39 minutos e terminou em 36/34.
“Fui dormir praticamente às 3h30 da manhã. E ainda teve o
horário de verão. Estávamos bem desgastadas, mas não podíamos deixar esse
cansaço nos vencer. Além da nossa concentração, o que nos alimentou foi a força
da torcida, essa energia que vinha do lado de fora. Jogar no Rio é maravilhoso,
indescritível. Felicidade é pouco para dizer como me sinto”, afirmou Maria
Clara.
História praticamente
se repete com o irmão Pedro e o parceiro Bruno
Na decisão seguinte, um duelo de gigantes, entre os atuais
campeões brasileiros e a dupla que conquistou a medalha de prata nos Jogos
Olímpicos de Londres/2012. Só que, no histórico desse confronto, uma enorme
vantagem de Bruno Schmidt e Pedro Solberg, que, em cinco jogos, jamais haviam
perdido para Alison e Emanuel. E entraram em quadra para tentar manter esse
tabu.
Assim como na partida das irmãs, Pedro, ao lado de Bruno, se
viu em desvantagem no placar no primeiro set, mas, no fim, também fechou em
21/19. Coincidentemente, como na final anterior, o jogo ficou mais aberto e
tendendo para um lado. Pedro e Bruno, mostrando o voleibol que os credencia
como vice-líderes do ranking mundial, venceram o segundo set por 21/14 e
fizeram a festa, assim como no domingo passado, quando sagraram-se campeões do
Grand Slam de São Paulo do Circuito Mundial.
“A gente vem de uma batida forte desde o ano passado. Mas
era entrar para ganhar, com muita superação, como aconteceu em São Paulo. E
ainda foi um momento diferente pra mim, que pude vencer em família dentro da
minha casa. É uma felicidade dupla. Fico até mais feliz pelas minhas irmãs, que
já buscavam esse título há algum tempo”, disse Pedro, que venceu no Rio pelo
terceiro ano seguido.
Na noite deste domingo, Pedro/Bruno, Maria Clara/Carol e as
demais duplas das seleções brasileiras embarcam para Xiamen, na China, que
receberá o 10º e último Grand Slam do ano do Circuito Mundial. Mais uma semana,
portanto, de suma importância para Pedro e Bruno, que estão a 250 pontos dos
letões Janis Smedins e Samoilovs, que lideram o ranking.
“No masculino, somos o time com chances de conquistar esse
título da temporada para o Brasil. Vencer em São Paulo e, agora, no Rio mostra
o nosso comprometimento no dia a dia, pensando torneio a torneio. Vamos levar
essas duas conquistas para a China como motivação para tentar tirar a diferença
para os letões. Estamos sempre dispostos a superar todas as dificuldades”,
disse Bruno Schmidt, que ainda afirmou que sempre teve o sonho de fazer uma
final no Rio contra o campeão olímpico Emanuel.
Na disputa pelo terceiro lugar, as atuais campeãs
brasileiras, Ágatha e Bárbara Seixas (PR/RJ), venceram Lili e Rebecca (ES/CE)
por 2 a 0,
parciais de 21/14 e 21/18, e completaram o pódio, repetindo o resultado
conquistado na etapa passada, em Vitória (ES). Já no masculino, Moisés/Gilmário
(BA/PB) derrotou os medalhistas olímpicos Ricardo e Márcio (BA/CE) por 2 a 0, com um duplo 21/16, e
garantiu o terceiro lugar.
Fonte: Erich Onida CBV
Foto: CBV