sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

SAÚDE: Itaboraí: A "meca" brasileira no tratamento do autismo

Itaboraí: A "meca" brasileira no tratamento do autismo


A cidade de Itaboraí no Rio de Janeiro é considerada a "meca" brasileira no tratamento do autismo, pois nela está o núcleo de conscientização, tratamento e inclusão de pessoas com a doença no país, a Clínica -Escola de Autista. Projeto este que visa a integração de crianças e adolescentes autistas no ensino regular, por meio de um tratamento multidisciplinar oferecido por alguns dos profissionais mais gabaritados da área aqui no Brasil. 

Tal implementação do projeto cumpre determinações que estão previstas na Lei 12.674 de 2012, a qual institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, sancionada a partir de um projeto popular via Legislação Participativa e, que ganhou o nome de uma das maiores ativistas da causa em nosso país: Berenice Piana idealizadora da Clínica-Escola em Itaboraí. 

Berenice é mãe de Daylan, autista, hoje com 21 anos. Iniciou seu ativismo quando teve o diagnóstico de autismo no filho e descobriu a inexistência de políticas e conhecimento sobre o assunto, sobrando apenas o preconceito: "Eu entendi que a luta por políticas públicas tinha que começar, porque ninguém falava de autismo em lugar nenhum", afirma Berenice. 


A Lei acima citada, fez então com que o portador do autismo fosse visto como uma pessoa com deficiência: "O autista vivia num limbo, não era nem uma pessoa neurotípica e também não era uma pessoa com deficiência. Não tinha nenhum direito e todas as obrigações". 

Menos de um mês depois após a sanção da Lei, Berenice foi tratar da criação da Clínica-Escola com o prefeito de sua cidade, o senhor Helil Cardozo (PMDB), recém empossado no cargo.No ano seguinte a escola já era inaugurada. E desde então vão para lá pacientes e comitivas de diversos outros municípios à procura de como desenvolver programas semelhantes: "Aqui virou uma 'meca do autismo'. Toda semana tem visita de fora, de Estados diferentes, porque querem implementar nas suas cidades", diz Berenice, apontando exemplos como Santos (SP), São Gonçalo (RJ) e Campo Grande (MS), como locais que pretendem implantar clínicas-escolas públicas. 

A Clínica-Escola do Autista de Itaboraí é a única instituição pública no país, já que as particulares custam até R$ 12 mil por mês. Ela oferece atendimento em diversas áreas, como: neurologia, neuropediatria, nutrição, fonoaudiologia, psicólogo, terapia ocupacional e fisioterapia.O grande trunfo do projeto é o diagnóstico precoce e orientação aos familiares, mas seu foco principal é a inclusão das crianças e adolescentes no ensino regular. 

Fonte: UOL Notícias - Ciência e Saúde