sexta-feira, 29 de abril de 2016

DE VOLTA PARA OS BONS TEMPOS: 25 anos sem Gonzaguinha, um dos maiores cantores da música popular brasileira

25 anos sem Gonzaguinha, um dos maiores cantores da música popular brasileira


Há 25 anos atrás, em 29/04/1991, o Brasil chorava a morte de um dos maiores cantores da música popular nacional, Gonzaguinha. Vamos relembrar um pouco de sua história e carreira. 

  • Biografia: 
 
Nascido em 22 de setembro de 1945, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, era filho de ninguém mais, ninguém menos do que Luiz Gonzaga (13 de dezembro de 1912 - 02 de agosto de 1989), o "rei do baião" e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil, que morreu de tuberculose ainda muito jovem, com apenas 22 anos, deixando assim o filho órfão. 


Como Gonzaga viajara sempre com seus shows pelo Brasil, deixou Gonzaguinha com seus padrinhos Dina e Xavier, com quem aprendeu a tocar violão. Aprendeu as primeiras letras numa escola local, porém as verdadeiras lições de vida aprendera pelas ladeiras dos morros, já que para conseguir algum dinheiro, carregava sacolas de feira. 

Quando moleque Gonzaguinha aprontava das suas... Soltava pipas, jogava peladas, bolinha de gude, pião... E numa dessas furou seu olho esquerdo por três vezes (primeiro numa pedrada, depois com um estilingue e por último na quina da cama), isso fez com que perdesse 80% da visão deste olho. 

O samba entrou em suas veias sempre quando no carnaval fugia com Pafúncio, um vendedor de caranguejos, morador das redondezas e membro da ala dos compositores da Unidos de São Carlos. 


Recebia de Gonzagão o nome de certidão, o dinheiro para pagar os seus estudos e algumas visitas esporádicas. Em meio ao dia-a-dia atribulado, ele ia aprendendo a dureza de uma vida marginal e a injustiça vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a nada. 

Ainda durante sua infância ouvia sempre Lupicínio Rodrigues, Jamelão e claro, as músicas de seu pai. Gonzaguinha gostava de boleros e participava sempre de programas sertanejos. Dentre os estilos de música que mais ouvia estava também a portuguesa, já que D. Dina, sua madrinha e mãe adotiva era filha de portugueses e mantinha-se ligadas às tradições. 

Compôs a sua primeira canção "Lembranças da Primavera" aos 14 anos e logo em seguida veio "Festa" e "From U.S. of Piauí", a qual fora gravada por seu pai em 1967. No ano de 1961 foi morar com seu pai em Cocotá já que seus padrinhos não podiam bancar seus estudos. Gonzaguinha queria se formar em Economia. Neste mesmo ano estudou muito e nunca mais repetiu de ano.


Lia todos os jornais e os guardava num saco de estopa dizendo sempre que os mesmos poderiam ajudá-lo em seus estudos. Depois de formado jogou tudo fora. 

Trancado em seu quarto estudava Economia e tocava violão. Só saía dele para jogar futebol, sua segunda paixão. Isso fazia com que muitas vezes perdesse a hora do almoço.  

Em dezembro daquele mesmo ano Gonzaguinha sofreu o primeiro de seus acidentes automobilísticos quando em viagem com seu pai e um amigo, a caixa de mudança do carro enguiçou e Gonzagão ficou um mês no hospital, enquanto ele sofreu apenas um grande susto.


Ainda durante sua juventude foi interno em um colégio depois de vários desentendimentos com Helena, a esposa de seu pai. Pode ter sido a partir daí que o "homem" Luiz Gonzaga do Nascimento Junior começara a se delinear. Concluiu o Curso Clássico e ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Neste momento, aquele que tinha de tudo para não dar certo na vida sofreu uma reviravolta e mostrou para o que veio, tornando-se um cidadão consciente social e politicamente. 

Na mesma época começara uma amizade com Ivan Lins e outros na rua Jaceguai, na Tijuca, onde morava o psiquiatra Aluízio Porto Carrero. Foi nesta casa que conheceu Ângela, sua primeira esposa e mãe de seus dois filhos mais velhos, Daniel e Fernanda. Ali também nasceu o Movimento Artístico Universitário do qual faziam parte Ivan Lins, Aldir Blanc, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento foi sugado pela TV Globo em 1971 quando do lançamento do programa "Som livre exportação". 

No ano de 1973 Gonzaguinha participou do programa de Flávio Cavalcanti apresentando a música "Comportamento Geral", num dos concursos que eram promovidos pelo programa. A letra apavorou os jurados pois nela dizia: "Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado/ São palavras que ainda te deixam dizer por se homem bem disciplinado/ Deve pois só fazer pelo bem da Nação tudo aquilo que for ordenado"
 
 
Mesmo com muita polêmica e advertência da censura, o disco foi gravado e Gonzaguinha então pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio, sendo convidado para gravar um novo disco. 

Naqueles anos de chumbo a divulgação da música foi proibida em todo o Brasil e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no Departamento de Ordem Política e Social, sendo essa a primeira de inúmeras visitas ao órgão. Para gravar 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 a censura, das quais 54 foram vetadas. 

Mesmo sendo perseguido constantemente pela censura, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar suas músicas, seja em discos driblando os censores com trabalhos alegóricos, ou seja em shows onde podia cantar as músicas que não poderiam ser tocadas, ele acabava por não se conter e exprimia sua opiniões e preocupação com os rumos os quais sua nação tomava. 


No ano de 1975 dispensou seus empresários tornando seu trabalho independente. No mesmo período contraiu tuberculose e teve de parar por oito meses. Aproveitou este tempo para meditação e reflexão sobre si mesmo, chegando a algumas conclusões importantes, achando que devia retomar espontaneidade em termos de apresentação e estar no palco como se estivesse em qualquer lugar. 

Após se recuperar da tuberculose retomou sua carreira e começou a excursionar pelo país com seus shows e violão. Assim solidificou as bases nacionais de sua arte e descobriu a importância de seu pai na música popular brasileira. Em 1976 gravo o disco "Começaria Tudo Outra Vez" o qual segundo ele mesmo representou a capacidade de retorno aos palcos retomando a espontaneidade perdida "assumindo a coerência de um trabalho se estendera por muito tempo". 

No ano de 1981 nasce Amora Pêra com a então "Frenética" Sandra Pêra. Desde então começaram a despontar vários sucessos, dentre eles: Gonzaguinha da vida (1979), Coisa Mais Maior de Grande (1981) e Alô, Alô Brasil (1983). 


Em seus últimos 12 anos de vida Gonzaguinha conviveu com Louise Margarete Martins (a Lelete), com quem teve a caçula Mariana. Até hoje as duas vivem em Belo Horizonte, onde ele viveu por 10 anos e dedicava seu tempo passeando pela Lagoa da Pampulha e estudando novos sons, dividindo-se em períodos dentro de casa e em longas turnês pelo país. 

No ano de 1981 Gonzaguinha fez aquela que pode-se considerar a mais importante de suas turnês com o show "Vida de Viajante", a qual selou o reencontro entre pai e filho e a intersecção de dois estilos: o Brasil sertanejo do baião encontrando com o Brasil urbano das canções com compromisso social e uma só paixão - o palco. 

Como dia a frase, se "todo artista tem de ir aonde o povo está", naquele palco, naquele momento estavam no mesmo palco pai e filho deixando mágoas, desavenças e ressentimentos na poeira das estradas. Gonzagão e Gonzaguinha viajaram juntos por quase um ano e mais do que se perdoarem, tornaram-se amigos. Não houve uma simples reconciliação mas sim uma compreensão. 


Tudo ia bem até quando na manhã do dia 29/04/1991 voltando de um show no sudoeste do Paraná. Seu Monza bateu de frente com um caminhão F-4000 com placa de Marmeleiro (PR) no quilômetro 30 da BR-230 entre Renascença e Marmeleiro, há mais ou menos 420 quilômetros da capital Curitiba. 

Gonzaguinha chegou a ser levado para a policlínica São Francisco de Paula em Francisco Beltrão, porém já chegou sem vida. Renato Manoel Duarte, seu empresário e o outro passageiro Aristide Pereira da Silva foram internados na mesma policlínica em coma com traumatismo craniano. Apenas Renato sobreviveu. 

Conforme informações de um patrulheiro da rodovia, o sol teria atrapalhado a visão do caminhoneiro, cujo veículo era de um matadouro. O motorista acabou cruzando a pista para entrar numa estrada de terra que conduzia ao matadouro e acabou por atingir ao Monza de Gonzaguinha. No asfalto pode-se ver a marca da freada do Monza por quase 50 metros. 

O cantor estava indo para Foz do Iguaçu onde pegaria um avião para Florianópolis onde faria seis shows em terras catarinenses. 

  • Confira a matéria Jornal Nacional, da Rede Globo, noticiando a morte de Gonzaguinha:
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  • Última entrevista e imagens do último show de Gonzaguinha: 
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  • Repercussão da morte de Gonzaguinha:
Tão logo que a notícia da morte de Gonzaguinha começou a circular, artistas e amigos do cantor deram seus depoimentos: 
 
Ney Matogrosso
“É tão súbito que nem sei o que dizer. Éramos amigos e há, pouco tempo, chegamos a estar bem próximos mesmo sem ter trabalhado juntos. Mais do que seu trabalho, gostava dele como pessoa.”

Fagner
“Era muito ligado a ele e a toa sua família. Tudo que posso dizer nesse momento é que estou chocado.”

Joanna
“Gonzaguinha era um poeta contemporâneo, que abordava a alma feminina de uma forma completa. Através da palavra, desnudava o universo da mulher. Ele tinha a sensibilidade à flor da pele. Na minha obra é de extrema importância. Sempre esteve presente nos meus trabalhos, desde que fez a música agora para o meu primeiro LP.”

Simone
“Era uma pessoa de quem gostava muito.Tinha um grande talento. Estou muito chocada agora para dizer para dizer mais alguma coisa.”

Arquiles (MPB-4)
“Nós éramos muito amigos. Sempre tivermos uma ligação forte porque o MPB-4 gravou muitas músicas dele. Ele nunca nos negou uma composição inédita. Nossas posições políticas também eram parecidas.”

Abel Silva
“A música brasileira perde um grande compositor de apelo popular, que dizia ass coisas com muito precisão e coragem. As canções que ele deu para a Bethânia por exemplo vão ficar. Na última vez que o vi, ele disse: ‘tenho saúde, resto a gente tira de letra’.”

Nana Caymmi
“Tinha um carinho grande pelo compositor e pelo ser humano. Vai ficar faltando um pedaço. À importância da obra dele é enorme. Com o tempo sentiremos falta de sua música. Ele lutava pela pátria. Sempre fui sua amiga e era muito ligada a ex-mulher dele, Ângela. Nossos filhos cresceram juntos. È horrível e inacreditável que isso tenha acontecido." 

  • Confira alguns dos maiores sucessos de Gonzaguinha:
 - O Que é, O Que é: 
 
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- Sangrando: 
 
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- Explode Coração: 
 
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- É: 
 
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- Comportamento Geral: 
 
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- E Vamos a Luta: 
 
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Fonte: Site Oficial Gonzaguinha 
Vídeos: YouTube