Morre Nilton Travesso, pioneiro da televisão brasileira, aos 92 anos
Diretor e produtor teve mais de 70 anos de carreira e participou de programas históricos da TV Globo e do SBT, deixando uma contribuição marcante para o entretenimento nacional.
A televisão brasileira perdeu nesta sexta-feira (6) um de seus profissionais mais importantes. Morreu, em São Paulo, aos 92 anos, Nilton Travesso, diretor e produtor que ajudou a construir a história da televisão no país. Com mais de sete décadas de carreira, ele esteve à frente de novelas, programas humorísticos, musicais e atrações que marcaram diferentes gerações.
Reconhecido como um dos pioneiros da televisão brasileira, Nilton Travesso iniciou sua trajetória em 1953, na TV Record, onde participou de produções que se tornaram referências na história da comunicação e do entretenimento nacional.
Nas décadas de 1960 e 1970, ganhou destaque pela direção de programas como *Família Trapo*, além de participar dos históricos Festivais de Música Popular Brasileira. Seu trabalho também esteve ligado a atrações musicais que revelaram e consolidaram grandes nomes da música brasileira.
Em 1974, chegou à TV Globo para trabalhar no *Fantástico*. No ano seguinte, produziu um dos primeiros videoclipes brasileiros, com Ney Matogrosso interpretando a música *América do Sul*, em imagens gravadas em meio à floresta.
Trabalhos que marcaram gerações
Durante sua passagem pela Globo, Nilton Travesso participou da criação e do desenvolvimento de atrações importantes, como *TV Mulher*, *Som Brasil*, *Balão Mágico* e *Roberto Carlos Especial*. Também esteve à frente da direção executiva do *Chico Anysio Show*.
Seu trabalho foi marcado pela capacidade de conduzir grandes equipes e desenvolver formatos inovadores para a televisão. Mesmo sendo responsável por produções de grande repercussão, costumava destacar sua preferência por trabalhar nos bastidores.
Passagem marcante pelo SBT
Nilton Travesso também deixou uma contribuição expressiva no SBT. A partir de 1993, participou de projetos importantes da emissora, tanto na programação de entretenimento quanto na teledramaturgia.
Um dos trabalhos de maior destaque foi a novela *Éramos Seis*, exibida em 1994, que conquistou o público e se tornou um dos grandes sucessos da dramaturgia do canal.
Também esteve envolvido em produções como *As Pupilas do Senhor Reitor*, *Sangue do Meu Sangue*, *Razão de Viver*, *Os Ossos do Barão* e a primeira versão de *Chiquititas*.
Na programação infantil, contribuiu para projetos como *Bom Dia & Cia*, com Eliana, e outras atrações que fizeram parte da história da emissora.
Ao longo da carreira, passou ainda por outras importantes empresas de comunicação, como TV Manchete, Bandeirantes, Gazeta e Jovem Pan.
Um legado de criatividade e dedicação
Nilton Travesso costumava dizer que não saberia fazer outra coisa além de televisão, atividade que considerava fascinante. Sua trajetória foi marcada pela criatividade, paciência, generosidade e capacidade de liderança.
Em 2024, participou do documentário *Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro*, em uma de suas últimas contribuições ligadas ao SBT.
Sua morte representa uma grande perda para a comunicação brasileira. Mais do que dirigir programas de sucesso, Nilton Travesso ajudou a transformar a maneira de produzir televisão no Brasil, deixando um legado que continuará presente na memória do público e na formação de novas gerações de profissionais.
